Avançar para o conteúdo principal

Último post

Tudo me lembra de ti - Colleen Hoover

Deixem-me apresentar-vos  Kenna Rowan e Ledger Ward, uma das duplas de Colleen que mais amei e me impactou. Kenna, carrega consigo a dor de um passado trágico que culminou na perda do namorado Scotty e numa condenação de 5 anos por escolhas infelizes. Reconhece que as pessoas à sua volta, especialmente os pais de Scotty não queiram que ela se aproxime de Diem, a sua filha de 4 anos. Ainda assim, após ser libertada, decide regressar à cidade que lhe destruiu a vida para recuperar e reconquistar a filha mesmo tendo que lidar com o ódio da população. Ledher era o melhor amigo de Scotty, jurou nunca compreender nem desculpar quem lhe tirou o melhor amigo e irmão de vida. Junto com os pais de Scotty, criam Diem e esperam que o futuro não lhes pregue a partida de ter Kenna à porta. É dono de um bar local, onde vê entrar a mulher mais intrigante e bonita que conheceu – Kenna. O destino prega partidas aos mais descrentes. A relação entre eles, cresce num ambiente em que cada passo em frent...

Não digas nada à mamã – Toni Maguire



⚠️ Alerta: Este livro pode ser difícil ou perturbador para pessoas sensíveis, pois são abordados assuntos como: abuso sexual infantil e violência doméstica.⚠️  

Este livro não se trata de ficção nem de uma história meramente inventada, infelizmente, trata-se da história de infância da própria autora, entre os anos 1960 e 1970.
Devido à complexidade da narrativa, houve necessidade de haver uma continuação, partilho no final, o nome do 2º livro.

Toni, não se limita a contar os acontecimentos; ela partilha emoções, pensamentos e pequenas rotinas do dia a dia que tornam a história mais arrepiante e intensa. O mais marcante é como nos faz ver o mundo pelos olhos de uma criança: a confusão, a culpa que sente e a vergonha, mesmo quando sofre.

⚠️ Por favor, se até aqui não te sentiste confortável, não continues!

Toni Maguire nasceu e cresceu na Irlanda do Norte numa família de classe média que parecia normal, pelo menos aos olhos dos de fora. A mãe era uma mulher narcisistas (percebeu mais tarde), distante e constantemente preocupada com as aparências. O pai aparentava ser mais afetuoso mas era ausente e submisso à mãe. Estavam reunidas as perfeitas condições para a desgraça. 😖😓

Aos oito anos de idade, começa o pesadelo! O pai começa a abusar sexualmente de Toni fazendo ameaças, manipulando-a emocionalmente e com pequenos subornos para ganhar o silencio da menina. A frase que dá nome à obra, era o mantra que o pai lhe dizia para assim manter tudo em segredo, dizendo que se ela contasse, ninguém iria acreditar nela, incluindo a mãe.

No entanto, o pior estaria por vir!😕

Aos 12 anos de idade, Toni dá entrada no hospital com uma grave hemorragia. Após avaliação os médicos determinaram que se deveu a um aborto espontâneo o que culminou na revelação de todos os acontecimentos ao longo dos 4 anos anteriores.

Deparada com toda a situação e contra tudo o que seria espectável, aconteceu exatamente o que o pai tinha avisado a Toni. A mãe não acreditou, inclusive, além da raiva, vergonha e de culpar a filha pela exposição familiar, acusa Toni, de ter provocado as situações. Surreal, no minimo, não?! 😱😢

De referir que por esta altura, Toni não é mais a menina inocente de 8 anos, mas sim uma adolescente de 12, que passou anos a ser molestada, desacreditada pela própria mãe e que, por isso, desenvolveu vários traumas e prolemas mentais, auto mutilava-se, tentando mesmo o suicídio (sem sucesso). Ainda assim, Toni não se rendeu e foi em frente com a revelação, exposição e procura por justiça, ainda que ninguém acreditasse nela. Estava determinada em acabar com o sofrimento e ser referencia para outras tantas vítimas que existissem em silêncio. 

Com toda a polémica instalada, o caso ganhou atenção da comunicação social o que piorou a relação com a mãe, pois o caso tratava-se agora público, e tanto as autoridades como serviços sociais se encontram envolvidos. Toni é retirada aos pais, ficando aos cuidados do estado, passando por vários lares e instituições de acolhimento. 

Toni consegue por fim que o caso vá a tribunal e o pai seja condenado. Infelizmente este desfecho não deixa de acompanhar Toni no futuro, todos os episódios acabaram por causar vários danos enraizados como depressão, ansiedade, problemas de confiança e transtorno de stress pós-traumático. 

Este livro tem uma leitura muito pesada, na altura que o li (16-17 anos) tive de fazer várias pausas, inclusive fazer paragens de dias, e não sei se para a idade seria a leitura indicada. 

Se fosse hoje, talvez não o conseguisse ler ainda que o livro consiga transmitir força e resiliência, mostrando que mesmo em circunstâncias mais difíceis, existe coragem e esperança. Para quem se sentir tocado por esta história, é importante saber que existe um segundo e último livro, onde Toni continua a sua narrativa e mostra a sua jornada em adulta "Quando o papá voltar".


Até à próxima leitura,

Andreia


 

Comentários