⚠️ Alerta: Este livro pode ser difícil ou perturbador para pessoas sensíveis, pois são abordados assuntos como: abuso sexual infantil e violência doméstica.⚠️
Toni, não se limita a contar os acontecimentos; ela partilha emoções, pensamentos e pequenas rotinas do dia a dia que tornam a história mais arrepiante e intensa. O mais marcante é como nos faz ver o mundo pelos olhos de uma criança: a confusão, a culpa que sente e a vergonha, mesmo quando sofre.
⚠️ Por favor, se até aqui não te sentiste confortável, não continues!
Toni Maguire nasceu e cresceu na Irlanda do Norte numa família de classe média que parecia normal, pelo menos aos olhos dos de fora. A mãe era uma mulher narcisistas (percebeu mais tarde), distante e constantemente preocupada com as aparências. O pai aparentava ser mais afetuoso mas era ausente e submisso à mãe. Estavam reunidas as perfeitas condições para a desgraça. 😖😓
Aos oito anos de idade, começa o pesadelo! O pai começa a abusar sexualmente de Toni fazendo ameaças, manipulando-a emocionalmente e com pequenos subornos para ganhar o silencio da menina. A frase que dá nome à obra, era o mantra que o pai lhe dizia para assim manter tudo em segredo, dizendo que se ela contasse, ninguém iria acreditar nela, incluindo a mãe.
No entanto, o pior estaria por vir!😕
Aos 12 anos de idade, Toni dá entrada no hospital com uma grave hemorragia. Após avaliação os médicos determinaram que se deveu a um aborto espontâneo o que culminou na revelação de todos os acontecimentos ao longo dos 4 anos anteriores.
Deparada com toda a situação e contra tudo o que seria espectável, aconteceu exatamente o que o pai tinha avisado a Toni. A mãe não acreditou, inclusive, além da raiva, vergonha e de culpar a filha pela exposição familiar, acusa Toni, de ter provocado as situações. Surreal, no minimo, não?! 😱😢
De referir que por esta altura, Toni não é mais a menina inocente de 8 anos, mas sim uma adolescente de 12, que passou anos a ser molestada, desacreditada pela própria mãe e que, por isso, desenvolveu vários traumas e prolemas mentais, auto mutilava-se, tentando mesmo o suicídio (sem sucesso). Ainda assim, Toni não se rendeu e foi em frente com a revelação, exposição e procura por justiça, ainda que ninguém acreditasse nela. Estava determinada em acabar com o sofrimento e ser referencia para outras tantas vítimas que existissem em silêncio.
Com toda a polémica instalada, o caso ganhou atenção da comunicação social o que piorou a relação com a mãe, pois o caso tratava-se agora público, e tanto as autoridades como serviços sociais se encontram envolvidos. Toni é retirada aos pais, ficando aos cuidados do estado, passando por vários lares e instituições de acolhimento.
Toni consegue por fim que o caso vá a tribunal e o pai seja condenado. Infelizmente este desfecho não deixa de acompanhar Toni no futuro, todos os episódios acabaram por causar vários danos enraizados como depressão, ansiedade, problemas de confiança e transtorno de stress pós-traumático.
Este livro tem uma leitura muito pesada, na altura que o li (16-17 anos) tive de fazer várias pausas, inclusive fazer paragens de dias, e não sei se para a idade seria a leitura indicada.
Se fosse hoje, talvez não o conseguisse ler ainda que o livro consiga transmitir força e resiliência, mostrando que mesmo em circunstâncias mais difíceis, existe coragem e esperança. Para quem se sentir tocado por esta história, é importante saber que existe um segundo e último livro, onde Toni continua a sua narrativa e mostra a sua jornada em adulta "Quando o papá voltar".
Até à próxima leitura,
Andreia

Comentários
Enviar um comentário