Li este livro ainda no tempo da escola, no meu 9º ano, devia ter os meus 14-15 anos. Foi uma leitura que, para mim, ganhou ainda mais significado e importância.
Após a leitura, a professora, que pertencia a grupos de teatro, decidiu que a turma poderia adaptá-la para peça de teatro, e assim foi. Preparámos os textos, atribuímos papeis e até fizemos uma espécie de adeira em formato de lua. Depois da primeira apresentação da peça à escola, por ter sido tão bem recebida e aplaudida, decidimos voltar a apresentá-la, desta vez, convidando a própria autora a estar presente. No final, acabou por nos dar os parabéns e autografou os exemplares. Um momento especial que guardo com muito carinho. 🤍
Infelizmente, depois de o ter emprestado, nunca mais voltei a ter o livro na minha posse — uma pequena dor literária que acabou por trazer uma grande lição: livros, para mim, deixaram de ser emprestáveis.Quanto à obra em si, "A Lua de Joana" é um livro marcante, trata-se do diário íntimo de Joana, uma adolescente que tenta lidar com a perda da melhor amiga, Marta, que morreu de overdose. Uma realidade chocante para Joana que desconhecia por completo este lado da vida de Marta. Ao longo das páginas, vamos conhecendo os pensamentos mais profundos de Joana, as suas dúvidas, a culpa, a saudade e a necessidade quase desesperada de compreender o que aconteceu.
A escrita em forma de diário torna tudo mais real e próximo. Quase que estamos a ler segredos, desabafos que podiam ser de qualquer adolescente real.
Neste livro, A autora aborda temas como amizade, dor, silêncio, fragilidade emocional, mas também de crescimento e consciência. É uma história dura, mas profunda, ideal para qualquer adolescente, não só pela abordagem de temas importantes mas porque, por trás da dureza, senti que as mensagens podem ajudar a perceber que apesar da correria do vai e vem, eles não estão sozinhos eque podem procurar um adulta (familiar ou não) e pedir ajuda.
Esta obra deixa mensagens muito fortes nas entrelinhas: a importância de escutar quem está ao nosso lado, o impacto devastador do silêncio, o peso das escolhas e a urgência de falar sobre saúde mental e dependências sem tabus. Nos dias actuais, esse à vontade dos adolescentes tem se perdido, razão pela qual também sinto que há tantas asneiras e acidentes que podiam ser evitados.
Não acho que "A Lua de Joana" seja apenas uma leitura escolar — é um convite à empatia, à atenção e à responsabilidade emocional. E, talvez por isso, continua a ser um livro que permanece connosco muito depois da última página. 🌒✨

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